O brasileiro acha chique visitar Paris, Roma, Berlim, mas a Europa é, em essência, tudo o que a classe média odeia

By Ivana Ebel*

Tenho passado boas horas no Youtube, recentemente, acompanhando vídeos de brasileiros que foram morar em outros países. Tenho feito isso para entender mais da ferramenta, dos bordões, do que faz um canal ter sucesso ou não. Entenda como pesquisa de mercado, se quiser.

Nessa aventura pelo pensamento do brasileiro imigrante, todos falam de sua vida e, inevitavelmente, acabam comparando o que encontram quando voltam ao Brasil com o que vivenciam do lado de cá. Em todos os vídeos que abordam o tema, o principal espanto é o machismo, o racismo, a homofobia e o desrespeito pelo próximo no Brasil.

Viver em uma sociedade com valores diferentes faz com que brasileiros de todas as classes, credos e origens, que tiveram a chance de sair do país, consigam ver que os problemas do Brasil vão muito além da política e da economia, mas que têm uma direta conexão com ela. Aqui fora, fica mais evidente que o sonho de muito brasileiro de classe média pode ser morar na Europa, mas que o que a Europa representa (e se esforça para ser), em geral, é o resumo de tudo o que o brasileiro médio detesta. Não me ententa mal aqui: não se trata de colonialismo. Já explico.

Hoje, caí na besteira de ler os comentários em uma matéria que falava sobre a redução do bolsa família e teve quem chamou o momento político do país de “golpe de sorte”, por que “agora esses vagabundos vão ter que parar de fazer filho sustentados pelo dinheiro do cidadão de bem e terão que trabalhar”. No entanto, na Europa, os países com maior sucesso econômico são justo aqueles que têm os mais abrangentes planos de distribuição de renda.

Enquanto o brasileiro médio sonha com Paris, Roma, Berlim e o Bolsonaro, mais países europeus avançam em debates sobre a liberação das drogas e a regulamentação da prostituição, como já faz a Holanda. Aborto é um direito conquistado, debates de gênero são estimulados dentro das mais renomadas instituições de ensino. O estado é (quase sempre) laico. Ninguém tem armas e nem pensa em sua liberação. Serviços de limpeza doméstica tem que respeitar o valor mínimo por hora, assim como os profissionais que cuidam de crianças, dos jardins ou que trabalham em bares e restaurantes. Existe diferença social? Infelizmente existe, mas é muito, muito menor do que se vê no Brasil.

O ensino gratuito – ou financiado pelo governo em forma de empréstimo estudantil – permite que cada vez mais famílias tenham seus integrantes com diploma superior. No entanto, não é preciso ter uma profissão com formação universitária para conquistar uma vida digna. Mas é preciso saber que uma vida digna, por aqui, é para todos e não inclui escravos domésticos: cada um limpa seu banheiro, cuida do quintal e vai de transporte coletivo ou de bicicleta, usando ciclovias, de um lado para o outro. Por aqui, “piadas” racistas não são aceitas, igualdade de gênero é assunto sério, homofobia é crime. É perfeito? Não. E está longe de ser, especialmente em relação a etnias minoritárias, refugiados e parcelas mais vulneráveis da socidade. Mas não é tão ruim como no Brasil.

Foi isso que os youtubers perceberam. No geral, é isso que se sente: no velho mundo há uma  certa maturidade de valores, há mais respeito, há acesso a renda mínima, saúde e educação. O estado é mais paternalista, quando se trata do bem estar social. E isso faz a diferança. A classe média brasileira, que chama bolsa família de bolsa esmola, que acredita no Bolsomito, aspira grandeza e acha chiquérrimo ir para Paris, Roma ou Berlim. Mas a “Europa Mágica” da viagem de férias é, em essência, tudo o que essa gente mais odeia dentro de casa.

* A autora é jornalista, doutora em Ciências Midiáticas e da Comunicação, professora universitária e pesquisadora.

Anúncios

111 comentários

    1. Embora eu não discorde do seu texto, ele descolado da realidade, educação, cultura e amadurecimento cívico, carece de verdade.
      A realidade brasileira é considerar seus direitos antes de seus deveres, desrespeitar as instituições e considerar que tudo que é ordeiro é opressor.
      Aqui, por mais que exista uma onda de liberação, como dizes, e de ações positivas aos que necessitam de ajuda, partiu-se do princípio inverso. Todos os cidadãos possuem deveres e, com esta consciência e educação, parte-se para rever os direitos.
      A ordem dos fatos faz toda a diferença.

      Curtido por 2 pessoas

      1. Galera bate pesado no bolsa família e apoia aux Moradia aux Educação aux combustível e outros aux para Juiz Promotores Desembargadores é Brincadeira

        Curtido por 1 pessoa

  1. Excelente texto! O brasileiro gosta de torre Eiffel, Coliseu, Brandemburger Tor, e outros cenários para selfies. Em outras palavras, o brasileiro gosta de ostentar símbolos de status, e mostrar que “faz parte da elite” e conhece lugares chiques. Mas aprender cultura e civilização europeias está fora de cogitação – os valores humanistas e igualitários são incompatíveis com nossa mentalidade segregacionista, cujos ideais são a opressão e a desigualdade. “Estar na Europa”, assim, significa dizer “sou da elite (econômica)”, e assim, mostra que não é da elite (cultural). É como no Canto de Ossanha: “o homem que diz “sou” não é, porque quem é mesmo é “não sou””….

    Curtir

    1. Parabéns Dra. Ivana Ebel pelo excelente texto. Mas estes cidadãos a quem a Sra. Se refere são muito orgulhosos para refletirem sobre o que foi dito. Como a Sra. disse o problema não é só corrupção falta muita coisa (educação, respeito ao próximo etc). Mas falta humildade para refletir sobre colocações como está que a Sra. faz aqui e que são fundamentadas em uma realidade, não teoria.
      Parabéns!!!

      Curtir

    1. É porque as pessoas acham que só existe socialismo, ou capitalismo, mas se esquecem que da para cuidar do seu povo e aindagação assim lucrar. Boa parte dos países são socio-democráticos.

      Curtir

  2. A reflexão eh boa, mas tem que levar em consideração a falta de cultura, conhecimento mínimo de historia, política, cultura e qualquer outro tipo de informação que os folders das CVCs da vida passam para a grande maioria dos brasileiros que viajam para fora do pais. Acho que a grande massa desta classe media eh a dita “emergente”… e o desinteresse por leitura, historia, política (conhecimento de conceitos profundos) reflete nesta dicotomia que levanta no seu artigo. Creio que este brasileiros se encontraria mais identificado nos EUA, quando o mesmo entendesse as lógicas políticas e culturais que levantou no artigo. Por fim, a falta de leitura tem uma reflexão direta neste contexto. Se atravessarmos as fronteira e irmos para o Uruguai ou a Argentina e especialmente a ultima que tem os mesmos problemas políticos que aqui, você percebera um comportamento de gostos e hábitos mais próximo com a Europa (incluindo por ex. o numero de livros lido/ano/habitante) que nos que somos uma copia (e dai sempre pior) dos EUA.

    Curtido por 1 pessoa

  3. Parabéns , resumiu em poucas palavras o que sinto morando.fora quando vejo meus queridos brasileiros ostentando e se gabando por aqui, mas não sabem nada da história, não sabem da conquista da população européia e dos seus direrios sociais.

    Curtir

  4. Moro na Europa e vejo a distribuição de renda no trabalho pois tanto um deputado, senador, prefeito, lixeiro, motorista, zelador e dentre outras profissões todo mundo ganha quase a mesma coisa e essa distribution de renda que devemos debater e falar e não beneficios sociais trazendo o Estado como herança Paternalismo e Materno eu quero um Estado que garante meu trabalho e que seja justa a distribuição de renda seja la seu curriculum pois o mesmo trabalhador sem o mesmo curriculum como seu possa ter sua dignida preservada. Esse Estado Democratico que gostaria de ver no meu País, mas a caminhada e longe pois primeiro passo o Povo precisa acabar com o privilegio dos Politicos e depois iniciar a pensar construir uma Sociedade mais justa.

    Curtir

    1. hahahaha… bullshit. moro na Noruega e antes de vir para k sempre ouvi dizer que nao existia desigualdade social aqui. brasileiro adora falar merda sobre oq nao sabe. claro que a desigualdade nao eh bizarra como no brasil, mas basta passar uma semana aqui FORA DA BOLHA para perceber que existe sim uma grande diferença. a questão é mesmo estando no nível mais baixo social a pessoa consegue pelo menos ter uma moradia digna que não seja em um barraco sem energia eletrica e água limpa. enfim. sai da bolha amiguinho, o mundo aqui não é esse arco-iris não. sem falar que o alto padrão de vida aqui é sustentado as custas de muiiiiiiiiito sofrimento e escravidão que acontece em vários países da ásia e africa. abraços do mundo real.

      Curtido por 1 pessoa

  5. Paris, Roma e Berlim podem ser assim (ou nem tanto…). Madrid, Viena (lugar de racismo extremado) e Belgrado não.

    Generalizações, como a do “velho continente” em único pacote, sempre perigosas.

    Curtir

  6. Fantástico.
    Moro fora a 30 anos e concordo 100% com o artigo acima.
    Infelizmente todos almejam mudanças no Nrasil mas ninguém quer mudar seu estilo de vida ou hábitos. Todos querem o benefício encontrados em países maduros mas ninguém se habilita a contribuir.
    Por essas e outras não vejo possibilidade alguma de um dia voltar ao Brasil definitivamente. Minhas viagens anuais de um mês, é o maximo ué dou conta. Mesmo assim depois de uma semana já começa o stress total.
    Uma pena, pois o Brasil tem tudo para ser uma super potência economicamente falando e um país de pura alegria.

    Curtido por 1 pessoa

  7. Uma amiga disse que a Alemanha criou outra palavra para nacionalismo, para que mais nada remetesse ao partido nacionalista de Hittler. Eles sentem vergonha da história. Não imagino o Brasil fazendo issk de forma alguma. Aqui a gente não aprende com oa erros do passado.

    Curtido por 1 pessoa

  8. Verdade tudo isso que li.a questão e conhecer a Europa para saber a diferença de tanta desigualdade.observar,analisar as diferenças.a simplesidade de si viver.amo meu Brasil.viajo para tirar minhas propias conclusões.fico maravilhada pelo que observo,mais tambem fico horrorisada.mais nao posso mudar o mundo.por isso observo.a cada erro que observo serve para que eu melhore meu modo de agir e pensar e tire proveito desta viagem.respeitando a todos.para que eu também seja respeitada.

    Curtir

  9. Texto extremamente pertinente para refletir sobre o contexto atual e os retrocessos diários que temos vivido no Brasil nos últimos meses. Obrigada por compartilhar.

    Curtir

  10. Concordo parcialmente com o social walfare (bolsa família), tem que existir fiscalização eletrônica privatizada com Matrix empresa outro país aí vai dar certo 🙂

    Curtir

  11. Concordo parcialmente com o texto, mas não podemos generalizar ou “rotular”. Eu e a minha família fomos conhecer Paris e Roma porque somos amantes da história e da arte. Portando, dizer que as pessoas que vão visitar a Europa só estão lá para “ostentar” ou porque é chique, é uma visão no mínimo simplista e preconceituosa.

    Curtido por 1 pessoa

    1. O texto/artigo se baseia e se refere a um comportamento generalizado, tipico da sociedade brasileira, e, de modo geral, aos indivíduos educacionalmente menos desenvolvidos e preparaddos. Portanto, é um texto pertinente e não simplista ou preconceituoso.
      Não tem a intenção de não reconhecer que há um certo número de pessoas mais bem formadas com apreço pela cultura, arte, história. etc.

      Curtir

  12. Recentemente fui conhecer: Amsterdam, Luxemburgo, Frankfurt e Munique, gostei muito.
    Quero conhecer mais cidades alemãs.
    Descobrir novos lugares é essencial.

    Curtir

  13. Exatamente. É igual política que a classe média brasileira tem discutido e apoiado veementemente certos lados por conta de ter aprendido por meio de memes das redes sociais, que rendem curtidas e são sucesso entre os amiguinhos. Estudar à fundo por meio de artigos e livros… não. Adoram os símbolos europeus que junto aos iguais se traduzem em simbolos de riqueza. Morar na europa e entender profundamente suas sociedades… dá nó nos neurônios.

    Curtir

  14. Cara,
    A principio gostei do texto. Me agrada, me faz feliz.
    Estereótipos são boas caixas classificatórias para simplificar nossa vida.
    Talvez o grande problema da “esquerda de manual” (um estereótipo que criei) é acreditar que o opositor é sempre seu modelo …”A classe média brasileira, que chama bolsa família de bolsa esmola, que acredita no Bolsomito, aspira grandeza e acha chiquérrimo ir para Paris, Roma ou Berlim”…
    É muito chifre para um diabo só …
    O que é classe media?
    Quem ainda é contra bolsa familia?
    … Quem está nas pesquisas com Bolsxshit ?
    … O que é aspirar ser chic? Ir para capitais europeias?
    Não substime a diversidade dos “adversários”….
    Interessante como as religiões criam o diabo não?
    Longa discussão…

    Curtido por 1 pessoa

    1. Seu comentário chegou próximo do que penso. A autora generalizou ao extremo suas colocações. Tem muito de verdade sim no que ela escreveu, mas senti um viés político muito forte.
      É mesmo de se perguntar quem são os bolsomitos, lulitos, Aécitos. Temos um longo caminho a percorrer…

      Curtir

    2. Verdade também. Nem toda classe média brasileira é ignorante e adepta do turismo ostentação, e nem todo europeu culto é simpático às minorias e defensor da igualdade. Há estereótipos que convém à direita, outros à esquerda. Mas, generalizações e discursos políticos à parte, esse fenômeno do turista brasileiro “selfie” que quer mostrar que é “viajado” e “descolado”, sem ter a menor noção a respeito da cultura do país no qual é recebido (e mesmo a respeito da cultura de seu próprio país), foi muito bem abordado na postagem.

      Curtir

  15. Concordo em parte com o texto acima !!!! Visto pelo ângulo de Crítica, é fácil bater e corneta o Brasileiro , uma vez que sua Cultura e Educação não são nada próximos da Cultura E educação Europeia. Para se ter a Distribuição de Renda no Brasil como nos Países Europeus citados , temos antes que ter Educação, Civilidade e Cultura que isso é para ajustar e diminuir a diferença, e não como a população age , como forma de sustento e se encostando no mesmo .
    A Educação do Brasileiro , entenda como forma de criação e Cultural está longe disso . A idéia aqui é sempre levar vantagem , não importa como !!!!!
    E se essa distribuição de renda , ou assistencialismo, como queira chamar , funciona lá, aqui está longe disso !!!!!
    Vide os últimos exemplos que tivemos !!!!!
    Infelizmente é tanta coisa errada no nosso País, que só Deus para por a casa em ordem!!!!!
    A vdd é: ” Fecha tudo e Começa de Novo!”

    Curtido por 2 pessoas

  16. Nada contra a ajuda aos mais necessitados, mas as bolsas distribuídas no Brasil têm muitos problemas.
    O primeiro é que elas deveriam ser temporárias. Enquanto não tivermos robôs para fazer todo o trabalho (spoiler – ainda não temos), a riqueza que nos permite distribuir riquezas vem do trabalho. Se uma gama muito grande de pessoas com capacidade, idade e condições de trabalhar não o faz por estar contente com as bolsas que recebe, a própria fonte das bolsas deixa de existir.
    Depois, o assistencialismo junto com a corrupção e o curral eleitoral criam uma mistura explosiva. Em várias cidades, pessoas de classe média alta (filhos de vereadores, amigos de prefeitos, etc.) usam estas bolsas. Nos casos mais graves, foram distribuídas bolsas até mesmo para gatos, como você poderá descobrir fazendo uma simples pesquisas na internet. Quando elas vão para efetivamente quem deveria recebe-las, isto é feito com a ameaça de que devem votar na pessoa que a esta cadastrando no programa, normalmente alguma autoridade municipal.
    Bolsas devem estar ligadas a contrapartidas. Nós temos dificuldade em fixar estas contrapartidas ou em fiscalizar seu cumprimento.
    Por fim, nós não somos a Europa. A Europa teve que resolver seus problemas com soluções originais e que se adaptavam a sua realidade. Talvez seja a hora de nós fazermos o mesmo.

    Curtido por 2 pessoas

  17. Acho interessante comentários e artigos como esse onde pessoas, em sua “sapiencia”,apontam o dedo para criticar os preconceitos praticados pelos “outros” mas faz exatamente a mesma coisa quanto se refere preconceituosamente a um estrato social no qual elas chamam de classe media. Tratar a chamada classe média com certo desprezo e ironia também é preconceito! A dita classe média brasileira é composta em praticamente sua maioria em netos e bisnetos de imigrantes muito pobres que chegaram ao Brasil no final do século XIX e começo do XX (alemães, italianos, portugueses, japoneses, espanhois, sirios, libaneses, armênios e também por negros descendentes de escravos). Quando se faz a associação da classe media brasileira como se todos fossem turistas incultos e defensores do Bolsonario é tratar uma camada da população de forma precoceituosa também, pois nem todos são incultos ou defensores de Bolsonaro. Virou moda ridicularizar a classe média brasileira, mas não se esqueça que é ela a maior geradora de emprego e renda desse pais e que trabalha cinco meses do anos somente para pagar impostos que irão sustentar políticos vadios, juizes malandros , governos populistas e sindicatos de ladrões, a maioria deles da famosa “esquerda sul americana” e patrocinados ha muito tempos com dinheiro de entidades e sindicatos europeus.

    Curtido por 2 pessoas

  18. Nós (homo sapiens) não somos completamente individuais, autênticos e criativos, salvo as raras exceções, somos uma imensurável manada. Logo, há um erro de perspectiva (ou de dimensão) quando se compara “os brasileiros” com “a europa”, primeiro porque são gêneros diversos e depois porque não estão na mesma unidade de medida. Para consertar seria necessário falar da América do Sul x Europa, ou do Brasil x Alemanha, ou dos brasileiros x franceses… É só pra evitar cair no clichê de que a Europa é superior e a América do Sul inferior, especialmente porque a visão eurocentrica é tão natural e arraigada – a exemplo dos mapas, ninguém questiona o fato de a Europa aparecer sempre no meio de um planeta ‘redondo’. O segundo clichê que não se pode esquecer é que os europeus foram extremamente violentos no passado, seja nas “tribos vikings”, “nas cruzadas” ou “no holocausto”, ser europeu é ter que suportar a culpa da violência e das milhões de mortes que permitiram a vida na qualidade que ela é hoje, apesar de que a maioria dos imigrantes não percebe isso, porque é engolida pela rotina de achar maravilhoso levar a garrafa de água mineral no supermercado e trocar por moedas. Por fim, os europeus são mais “empaticos” do que os brasileiros, porque eles já experimentaram diversas técnicas políticas que fracassaram plenamente, enquanto nos ainda sonhamos com espaços públicos e divisão de renda, porque não experimentamos política de fato.

    Curtido por 1 pessoa

  19. Menina, já vi pessoas descartarem oportunidades de trabalho no exterior depois de saber que o “imposto de renda” seria de 40%. A justificativa? “O que importa é o dinheiro no meu bolso.”. A mediocridade e falta de empatia são vergonhosos nesse país.

    Curtir

  20. Muito boa análise. Vivi 22 anos na Holanda e desde meu retorno ao Brasil (1996) tento entender porque o Brasil é tão atrasado. Porquê cada brasileiro quer mostrar que é “dazelite”, que tem parentes estrangeiros ou algum que vive por lá. Dá nojo!

    Curtir

  21. Muito interessante o texto acima, é uma verdade, quando conhecemos algum lugar , não é somente pela os lugares turísticos e sim pela cultura e história das pessoas que vivem nesses países, cdaddes vc aprende muito. Para mim tem o porque de estar em algum país europeu ou de outro continente.

    Curtir

  22. Cheguei aqui pelo compartilhamento do Face do ex-ministro Janine. Acho que uma das soluções para nossos problemas atuais não é fugir para a Europa, Canadá, EUA, etc., ou seja, cumprir com um velho hábito de êxodo quando as coisas vão mal. Embora seja hábito, não é por aí. Uma das soluções que levará para outras soluções é acabar com o maniqueismo, com este outro mau hábito de propagar ideias em nome do brasileiro ou de um classe como se não fosse brasileiro ou não fizesse parte da classe, para sugerir que o “bom brasileiro” é aquele que não tem maus hábitos e não vive de pensamentos como “pagar pau” para a Europa.

    Os Tribalistas lançaram a “Um Só” essa semana, com uma genialidade óbvia. Estamos precisando mais disso. Deste tipo de genialidade óbvia e plural. Não da genialidade velha que transpira deste texto, que me remete a frase emblemática da Dilma na mídia – “o meu povo brasileiro não é mal educado” – ao se referir as vaias e palavrões que recebeu na abertura da Copa. Este hábito tacanho, repetitivo e velho de de que o mau brasileiro é “a tia, a prima ou a cunhada, mas não eu”.

    Talvez, já baste deste maniqueismo enrustido em tipos brasileiros mais que explorados midiaticamente, quase que familiares ou vizinhos, apontando o dedo e dando contornos claros não somente para Bolsomitos e o cidadão que gosta de ostentar a Europa, mas ao tipo brasileiro igualmente óbvio que escreve ou enaltece este texto.

    Curtir

  23. Seu argumento já cai por terra quando vc entende o bolsa família é um plano de distribuição de renda. Tendo em vista que vc parece ter algum conhecimento sobre as políticas praticadas na Europa sobre o tema, não é difícil perceber que a intenção e as contrapartidas exigidas são outras, isso para não dizer que o cidadão médio que faz uso do benefício também é completamente diferente e tem, ao contrário do que ocorre aqui, o estímulo e as condições de se recuperar financeira e profissionalmente. Culpar a classe média brasileira em uma comparação com um europeu é algo tão estapafúrdio, que só pode vir de alguém que não está sendo achincalhado pela carga tributária absurda, pela imensa burocracia para empreender, pelas maiores taxas de desemprego em décadas e pelo medo de sair e não voltar para casa. A ascensão de nomes como Bolsonaros e cia é uma resposta desesperada a anos de governo do extremo oposto, que imploraram a economia do país com o estímulo à um crédito que nunca existiu. E extremos, como a Europa bem sabe, não são saudáveis. Antes de criticar o brasileiro médio que trabalha para sustentar a farra do país, critique quem realmente vem acabando com a nação: a classe política que está no poder há décadas.

    Curtido por 3 pessoas

  24. Um exemplo do assistencialismo sem sentido no Brasil é a meia-entrada. A ideia original era boa, o resultado final é terrível. A ideia original era que algumas pessoas, por suas características especiais, deveriam pagar apenas meia-entrada em shows, espetáculos e cinemas. Aos poucos nós, como sociedade, resolvemos que isto abrangia crianças, jovens em idade escolar e idosos. O resultado é que 90% dos frequentadores de um cinema, por exemplo, têm direito a pagar meia-entrada. Agora, alguém em sã consciência acha que um empresário consegue manter um negócio cobrando de quase todos os clientes metade do que deveria cobrar? Obviamente isto é absurdo. Como consequência, daquela ideia original de que algumas pessoas especiais deveriam pagar meia-entrada nós chegamos ao resultado em que 90% dos frequentadores (as crianças, estudantes e idosos) pagam o ingresso normal e 10% (os que não se encaixam nas categorias mencionadas) pagam o dobro. E isto não faz sentido algum.

    Curtido por 1 pessoa

    1. O resultado é simples, o estabelecimento não assumirá o prejuízo e cobrará metade do dobro para os pagantes de meia entrada (que eu não acho errado, afinal ninguém é obrigado a pagar), enquanto a minoria que paga inteira terá que pagar o dobro do que deveria… Não existe mágica.

      Curtir

    2. Seu exemplo está incorreto porque o problema no caso da meia-entrada são os brasileiros espertalhões, aqueles que não são estudantes ou idosos mas falsificar carteirinha pra pagar meia. Ou você realmente acha que 90% da população brasileira teria direito a meia-entrada se todos seguissem as regras?

      Curtido por 1 pessoa

      1. Aí você já está tocando em outro ponto, esperar que todas as pessoas sejam honestas e ajam de boa fé precisaria de uma mudança de valores generalizada. Sabendo-se que isso não é a realidade do momento infelizmente, o sistema tem que se adaptar a isso. Como a lei obriga a fornecer meia-entrada, e sabemos que vão haver pessoas falsificando carteirinhas ou encontrando outras alternativas para pagar menos, a solução encontrada pelos estabelecimentos foi cobrar metade do dobro. Em Curitiba uma época começaram a discutir uma lei que os estacionamentos teriam que cobrar o tempo fracionado e não a hora inteira independente do carro ficar menos tempo. Os próprios donos de estacionamentos disseram que o que ocorreria seria o seguinte: na placa onde estava escrito R$10,00 uma hora, eles escreveriam R$10,00 quinze minutos para solucionar a exigência da lei.

        Curtir

  25. Só sei de uma coisa, aonde o brasileiro estiver ele vai ser sempre o terceiro mundo, será sempre o subdesenvolvido… por mais chique e etilista que aparenta estar querendo ser.

    Curtir

  26. Andar de ônibus e bicicleta no brasil pra alguns ou pra muitos é coisa de pobre, é sinal de pobreza, pois se ta de bicicleta indo trabalhar não tem como comprar um carro ou moto, esse é o pensamento de muitos no brasil e na minha cidade , preferem passar horas e horas em uma fila de transito se chingando do que mudar e pegar um ônibus ou usar a bicicleta como meio de transporte alternativo pra ir onde quizer. Ai vão pra europa, frança e holanda e la é chique andar de bicicleta ou ônibus hahaha não entendo.

    Curtir

  27. Em que pese a xenofobia ser mais latente na Europa (especialmente Alemanha) e US e também já expandida aos países em desenvolvimento, o texto nos trás a reflexão de que não basta fazer as malas para tirar auto-retratos frente a monumentos e publicar nas redes sociais para fazer inveja aos menos favorecidos que ainda não puderam realizar este sonho. É preciso conhecer a cultura desses países em todas as suas facetas e aprender, por em prática o que é bom e também demonstrar a eles o que também temos de bom aqui no Brasil. A integração entre as culturas. Kulturen Austausch.

    Curtir

  28. Texto extremamente preconceituoso e elitista, que faz uma generalização injusta e equivocada ao dizer que a “classe media” (leia-se nas entrelinhas: que não è de esquerda) é pro Bolsonaro (Urg!!) , xenófoba e homofobica.

    Curtido por 1 pessoa

  29. Interessante ressaltar também a maturidade que essas sociedades atingiram… penso q alguns comentários radicais e extremistas são inoportunos, mas vejo também com pessimismo a efetividade destes programas no Brasil! O povo está cansado de ser sugado e ter muito pouco em troca… diferente do que possivelmente acontece na Europa… se paga, se aposta e se vê o resultado!! Aqui parece q é tudo faz de conta!!!

    Curtir

  30. Excelente texto! Nem preciso tecer mais comentários para dizer o quanto suas palavras são importantes para uma boa reflexão do nosso momento, onde “cidadãos de bem” são belicosos.

    Curtir

  31. A classe média e alta brasileira viajam à Europa para tirarem fotos e selfies, em frente ao Coliseo, Torre Eifel, Big Ben, muro de Berlin, Rio Tejo, Louvre, postando-as no instagram e facebook. Mas, não sabem nada sobre a história, sobre a cultura dos lugares. Entram nos museus, fazem selfie com a Monalisa, mas, nem sequer sabem quem é o autor da obra, ou o que ela representa na história das artes, ou , o que é pior: nem olham para a obra de arte, pois, o que vale mesmo, é um selfie. As elites brasileiras vêm à Europa com muito dinheiro para gastar, mas são vazias de conteúdo, são fúteis, sabem valorizar os preços e as grifes daquilo que divulgam nas redes sociais como seus atributos de valoração e status social, mas não compreendem os reais valores que tornam uma sociedade mais evoluída, avançada, com equidade de direitos civis, livre e respeitando às diferenças. O comportamento fútil e não educado dessas pessoas quando chegam à Europa é evidente. Eles pensam que, aqui, podem tratar a todos como tratam seus subordinados no Brasil, ou como tratam aqueles que não são de sua mesma casta social nas ruas. Esse tipo de comportamento é extremamente mal visto pelos europeus e, infelizmente, os brasileiros das elites chamam à atenção no exterior, justamente, por seus comportamentos provincianos, arrogantes, mal educados e fúteis, por mais que eles pensem que ninguém perceba que eles são assim, isso grita aos olhos dos demais. Como brasileiro, é muito vergonhoso e triste ver que as pessoas de meu país que vêm à Europa, que têm dinheiro para estarem pela Europa nesse momento em que o Brasil está enfrentando uma crise econômica terrivel, são justamente as pessoas que passam uma imagem de brasileiro provinciano, analfabeto cultural, com muito dinheiro para gastar, mas sendo apenas um povo superficial e mal educado. O olhar snob e o comportamento de acharem que podem tudo à frente dos demais nos locais públicos europeus, faz com que as pessoas do velho continente percebam o quanto o povo brasileiro é discriminador, o quando não respeita às diferenças e o quanto se percebe que a crise política do país é apenas um reflexo de sua população. Infelizmente, a imagem que esses brasileiros ricos deixam na Europa, acaba por prejudicar àqueles que aqui vêm para trabalhar, estudar e viver, construindo uma vida no velho continente. Graças ao vazio de valores e ao excesso de preço das elites brasileiras que visitam à Europa, os brasileiros que aqui vivem ficam estigmatizados como mão de obra inculta, futil, sem educação e de confiança questionável.

    Curtir

  32. Eu sou da classe média e moro hoje na Suécia. Vivo a realidade dura aqui também, trabalhar todos os dias como tinha no Brasil. É muito fácil comparar o Brasil com países desenvolvidos e falar que os brasileiros da classe média querem o fim do bolsa família e adoram o Bolsonaro. O problema do Brasil é querer ter os mesmos programas de países desenvolvidos como o Bolsa Família que você mencionou… Antes de criar esses programas o Brasil deveria é melhorar a educação, para que seja possível um crescimento sem corrupção e aí sim ter investimentos onde seja necessário. Só depois que tivermos um país com um nível de educação boa, um salário mínimo equivalente ao que tem nos países de primeiro mundo é que poderemos ter programas como esses. Antes disso, temos que acabar com a máquina pública urgentemente, reduzir o Bolsa família sim e se o governo não consegue dar uma segurança à população, o porte de armas deve ser liberado sim!

    Curtido por 2 pessoas

    1. Você pode até morar na Suécia (país que conheço razoavelmente), mas não pensa como um sueco, e sim como um brasileiro classe média tal qual o descrito no texto original. “Acabar com a máquina pública”? Um sueco instruído jamais sonharia em propor algo semelhante. Instrua-se você também, aí na Suécia.

      Curtir

  33. Da lama social no qual nos encontramos todo o resíduo humano insatisfeito com seus sonhos destruídos estão canalizando no Bolsonaro uma vingança. Ninguém vota no Bolsonaro acreditando que vai melhorar. Votam na esperança que piore para que os sonhos dos outros também sejam destruídos.

    Sobre o texto, gostei. Estamos no momento diagnóstico, onde estamos assumindo que uma parcela da elite econômica do país odeia negros, pobres em geral e gays. Contudo é preciso já propor soluções. Acho que nesse sentido o texto poderia ser: olha o Brasil pode ser como o Reino Unido ou a Espanha…. A internet está trazendo a cálcificação da ignorância, onde a estupidez é vista como um estado de espírito. Isso faz com que qualquer inciativa pedagógica feneça sem ação. Precisamos acreditar que pessoas mudam e achar como fazer isso.

    Curtir

  34. O direito do cidadão brasileiro portar armas, só vai aumentar a violência, aumentando crimes pacionais, acidentes domésticos envolvendo crianças e mais armas nas mãos de bandidos. Em um assalto, em caso de reação, eles levarão nossos bens e nossas armas.
    Quanto ao Bolsa Família, esse benefício não aumenta a fertilidade entre os miseráveis. Sem o benefício, eles não deixaram de ter filhos. É preciso fazer com que os anticoncepcionais cheguem até eles.
    Aumentando a distribuição de renda, aumenta o consumo, melhora a educação e qualificação dos jovens.
    O brasileiro quando sair do país, tem que olhar além dos monumentos, além dos pontos turísticos. Senão, continuarão criticando programas sociais sem entender o que realmente o Brasil precisa.

    Curtir

  35. Pois é, a diferença é que lá as políticas sociais funcionam por que não há (ou há muito pouco), desvios e corrupção! Seu texto está mega equivocado, o Brasileiro não detesta ver o bolsa família sendo ampliado, ele detesta ver o que acontece no Brasil, usarem esses programas como palanque político e continuidade de governo, é ver ser reduzido o valor onde se classificaria a pobreza extrema apenas para dizerem que tiraram os mais pobres da fome, é ver mentiras e mais mentiras (em todos os governos), e nenhuma solução real! Literalmente é sermos palhaços em um circo! Não compare o Brasil com outros países do primeiro mundo, estamos há anos luz de distância, e sabemos que isso não se deve apenas à classe política!

    Curtido por 1 pessoa

    1. Luciano, não julgue os outros brasileiros por você e seus amigos. A classe média, via de regra, detesta o Bolsa Família, sob a alegação de que “tem que ensinar a pescar, e não a dar o peixe”. Esse tipo de comentário é muito comum e disseminado pela grande mídia. Sei que provavelmente todos os programas sociais brasileiros são alvo de corrupção e que as estatísticas da pobreza podem não ser confiáveis, mas se você conhecesse pessoalmente o interior do Ceará antes e depois do Bolsa Família, veria com seus próprios olhos que o impacto na vida das pessoas foi real. E não estou defendendo partido político nenhum, apenas apontando um fato. Por favor, pesquise um pouco mais antes de publicar comentários, seja mais responsável.

      Curtir

  36. Os programas sociais são necessários. O que não se pode permitir é o uso de programas sociais por políticos desonestos que enganam os pobres em troca de votos e o mal uso do dinheiro público com concessão de benefícios à milhares de companheiros não elegíveis aos programas como constatado.

    Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s